quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Limiar


Acorda. Não foi como todas as outras vezes. Foi um acordar especial. A beira de uma epifania.
Epifania essa, não sabia qual. Ficou ali, na beirada, esperando a resposta. Se inclina sobre os cotovelos e procura. Talvez ela aparecesse ao ver um objeto familiar do quarto. Nada.

Invisível, intangível, abstrata. Do limiar da mente.

Vem.- ordena. Tira essa angústia do anteconhecimento.

Joga a cabeça de volta ao travesseiro, a frustração chega, e a resposta não. Cansa. Levanta. A rotina ocupa seus pensamentos, mas aquilo fica entalado.
Café, se arrumar, escola. Se entedia. Não presta atenção ao que os professores dizem, nem nos amigos. Põe-se a divagar durante todo o tempo.
Os pais, preocupados com as notas baixas, vão atrás da razão. Psicopedagogos e psicólogos passam, mas seu problema não é resolvido.

Depressão, ansiedade, transtorno de déficit de atenção. Nenhum dos diagnósticos é certo.

Remédios não surtem efeito, continua na mesma. Perdem as esperanças e passam a tentar ignorar o problema.

E quando ela vai se deitar a noite, por várias horas ainda, enquanto o sono não chega, fica mirando o teto, atrás da resposta que não veio.

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