Acorda. Não foi como todas as outras vezes. Foi um acordar especial.
A beira de uma epifania.
Epifania essa, não sabia qual. Ficou ali, na beirada, esperando a
resposta. Se inclina sobre os cotovelos e procura. Talvez ela
aparecesse ao ver um objeto familiar do quarto. Nada.
Invisível, intangível, abstrata. Do limiar da mente.
— Vem.- ordena. Tira essa angústia do
anteconhecimento.
Joga a cabeça de volta ao travesseiro, a frustração chega, e a
resposta não. Cansa. Levanta. A rotina ocupa seus pensamentos, mas
aquilo fica entalado.
Café, se arrumar, escola. Se entedia. Não presta atenção ao que
os professores dizem, nem nos amigos. Põe-se a divagar durante todo
o tempo.
Os pais, preocupados com as notas baixas, vão atrás da razão.
Psicopedagogos e psicólogos passam, mas seu problema não é
resolvido.
Depressão, ansiedade, transtorno de déficit de atenção. Nenhum
dos diagnósticos é certo.
Remédios não surtem efeito, continua na mesma. Perdem as esperanças
e passam a tentar ignorar o problema.
E quando ela vai se deitar a noite, por várias horas ainda, enquanto
o sono não chega, fica mirando o teto, atrás da resposta que não
veio.

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