quarta-feira, 24 de julho de 2013

S.


Meu nome, não importa. Nem minha idade. Nem quem ou o que sou. Nem onde vivo, qual foi ou será minha história (essa, também, nem eu poderia dizer sobre, não aconteceu ainda).

O que importa é que sinto. Sinto pelos meus amigos, pelo chão, pelo ar. Eu sinto mais que qualquer outra coisa, e é disso que sou feito. Sensações. Sensação de respirar, sensação de estar aqui, estar vivendo. Sinto frio, sinto fome, sinto por quem não pode existir. Sinto um abraço, aperto de mão. Sinto o sabor da comida. Sinto dores. Sinto vontade de sorrir, chorar, gritar. Impressionar, disfarçar, sinto desejar algo, e sinto perder. Sinto todo o cosmos, quando paro e olho para as estrelas. Me sinto insignificante.




Mais que isso, sinto por quem existe e não reconhece, ou não é reconhecido, ou não teve a chance de, e talvez nunca terá. Sinto que escrever tanto pode não fazer diferença para ninguém, ou talvez faça.

Sinto vontade de desaparecer também, às vezes, quando sinto que nada disso tem sentido algum. 


Mas eu continuo sentindo. Enquanto eu sentir, existo. Mesmo sem sentido.

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