domingo, 18 de agosto de 2013

Paraíso em Círculos

Deste lado do bosque, talvez há um tempo atrás pomar, as frutas não são colhidas por ninguém. Elas simplesmente caem no chão e apodrecem. Os pássaros pequenos, coloridos, fazem festa em cima delas, banquete. E às vezes eles são espantados por um gavião que caça especialmente nestas áreas.

Aqui, meu paraíso, meu local de descanso, entre as frutas podres e os pipilares. O cheiro de maçã apodrecida é especialmente doce e enjoativo, e já deu um jeito de penetrar meu cabelo e minhas roupas e se alojar. Mesmo quando estou longe, meu espírito está aqui; crescendo com as sementes enterradas, no solo frutífero intocado.

É num lugar assim que eu enterro os meus sonhos, para poderem crescer como as plantas, imperturbados, isolados, com sua serventia num pequeno universo que faz diferença apenas aos melros (mesmo os azuis, que fazem uma pequena viagem do litoral rochoso mais ao leste só para também daqui aproveitar) pintarroxos, verdilhões e ademais. Aqui onde germinam minhas poesias, meus cantos, meus livros semi-acabados, toda sorte de material que minha mente produz, assim como as árvores. E assim como elas espero que estes meus frutos se tornem parte de universos pequenos, particulares, mas extremamente vivos, em cada um que venha a ter contato com estes, mentes tímidas, que fogem à aproximação, mas não deixam de ter sua participação num ciclo, numa existência.

E sejam como os pássaros, desejo que levem cada semente dentro deles para diferentes lugares, digeridas e expulsas, e façam ali crescer um novo mundo, e o ciclo continue.



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