Se é a quinta semana que não vejo a hora de parar de contar carneiros pra você não ser a última coisa que pensei antes de dormir, porque meu café da manhã agora é à tarde, de tanto dormir no fim da madrugada pra pensar no que dizer e decidir um plano, onde eu vou começar com uma piada
"então me diz de qual lado da cama você dorme, direita ou esquerda?", e o que faço com o canhoto daquela compra que eu fiz só pra poder te falar "Bom dia" no caixa, antes de te demitirem, e ai poderíamos comentar do mercado de trabalho e eu diria que eu provavelmente movimentei a economia com cada chiclete, cada "Bom dia", e que é uma pena que tenha subido o preço do café, que bebi demais nos últimos tempos, pra aguentar acordada quando não dormi, no tal fim de madrugada, e me atrasei pra um compromisso, porque me comprometi a terminar a longa história que eu criei na minha cabeça sobre como eu iria te dizer qualquer sentimento que eu tenha, mas ficou só no chiclete e no papo de domingo, quando tu inventa de jogar bola e ela sempre para no meu quintal, até tentei pesquisar sobre o esporte, mas sinto muito, não gosto, e eu só vou dizer "Sem problema" quando você pedir desculpa do vidro quebrado da janela. Parece quase meu coração quando você vai indo, e eu sento na varanda com meu livro aberto e espero o próximo chute errado pra nova chance de chamar pra tomar aquele café, que está caro, que eu estou bebendo demais, e me deixa tão elétrica que eu não penso mais com vírgulas.
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