eram duas da manhã
botei na cara um batom vermelho
pra sorrir pra mim mesma, no espelho
e mentir que fica tudo bem no fim
às duas e meia eu consegui
fazer sair de mim o mais longo suspiro
pra lembrar que a vida não está me sufocando
eram quase três e eu pensei
que talvez fosse dessa vez
ia esse azul todo passar
quatro e cinco eu cochilei
sonhei um sonho muito bom
mas que no fim era só sonho
6:30, já aceito
o batom no travesseiro
a minha imagem no espelho
e a tristeza no meu peito
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