terça-feira, 4 de abril de 2017

Trajeto

Do "rolê" com as amigas,
nem eram altas horas da matina,
voltava a pé, minha rotina,
cuidando da minha vida


Mas ai de mim
Na rua, fechada, sem volta,
lá longe avisto, míope, escuro,
vulto que me faz arrepiar todinha

Não tem escape, esse é o caminho,
o medo me trava, mas sigo tremendo
na cabeça passando todo terror
e as manchetes do noticiário

ARRASTADA, MORTA, ESTUPRADA,
LEVADA PRO MATO, NINGUÉM FEZ NADA,
DOIS TIROS E UMA FACADA

E será que meus amigos
vão fazer campanha com meu nome?
"Somos todos..."?

Não. Só mais uma.

Chega a hora, tão mais perto,
na noite, na sombra, só vejo o trajeto
e o Sr. vulto.
E meus braços, as mãos apertadas, com toda a força acumulada
pra quem sabe me salvar

E foi ali, na luz do próximo poste,
vi nos olhos dela, refletidos,
o mesmo medo e alívio

No meio sorriso, rápido, seguimos nosso rumo
Hoje, sorte: de nós, não foi nenhuma

Mas ai de mim
Lá longe, outro vulto.
Arrisco? Não arrisco.
Viro na próxima esquina.

Nenhum comentário:

Postar um comentário