é pelas grades que te vejo.
Ah, como queria dizer, que estão enferrujadas, logo saio
mas sempre que o menor sinal ruço toca as barras
são trocadas de primeira
e penso que, nos últimos tempos
estão cada vez mais grossas, puro aço
mas é pelas grades que te vejo, e todo dia me coloco aqui,
pendurada, pra que cada centímetro que puder ser iluminado
o seja
é pelas grades que te vejo, quando corre tão distante
e é pelas grades que converso, o teu calor, tantalizante
é pelas grades que existo
é pelas grades que sorrio
e cansa, tanto,
a minha cela é grande, profunda,
e às vezes ando até não mais ecoar os passos,
no canto mais escuro
sua luz mal me toca
se eu deito aqui já tudo passa
mas tu insiste, lá de fora
me chama até a beirada
me passa uma serra, afiada,
promessa de um dia escapar
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