Me engole no jogo de luz e sombras das ruas
dos postes; no subúrbio, no silêncio de quem dorme
estala no escuro a dor de corpos abatidos
dia-a-dia e noite adentro, na terra de cães e gatos
e lixeiros revirados
Sobe ao céu, como as preces, o calor do asfalto,
E não se veem as estrelas, um mar de olhos cansados
E vão embora antes da sinfonia de despertadores, de xícaras
e colheres, do aroma de café
E quando todos vão, e de novo o sol deita olhos
mergulha a rua no silêncio da ausência
da gente que trabalha, que vive, que todo dia
está correndo para existir
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