domingo, 29 de novembro de 2015

Cansa

Cansada que está de tudo que é o mesmo, só não cansou ainda de dizer. E diz com força e vontade, para quem quiser ouvir, e quem não queira que a ouça, porque fechar a boca ela não vai. Não foram, afinal, poucas as que passou. Também não foram boas. Foram. Começou ai pelos 12 anos.
Ela foi, crente de que era tudo que nem livro, e de fato, foi, um de capa dura, na sua cara. Ela foi de novo, crente que o conteúdo era bom, e ai as folhas todas cortaram seus dedos, um por um. Aqueles cortes ardidos. De bônus espremeram limão em cima. Ai foi, agora querendo desviar, mas ai empurraram a estante na cabeça dela.
Quebrou o braço, que deu à torcer, quebrou a mão, amiga. Quebrou o coração, a cara. Aconteceu tanto, sempre tanto, que cansou. Ai se pôs a falar. E como fala. Não para mais. Em horário comercial ela fala na linguagem dos negócios, ela explica onde dói, porque dói, e como faz para esquecer que dói. Fala para si mesma que, seguindo a lógica, tudo sara. Depois das 6 ela fala na boêmia. Tira das costas o violão, a caneta, escreve música e canta poesia, disso que ela passa, que não muda e que entedia, de que a vida, hoje em dia, ta assim: cansativa.

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